A revista checa Sky Europe publicou, na sua edição de 2 de Fevereiro, uma nova entrevista.
AS MINHAS VIAGENS
A cantora e compositora, Anastacia, é fã de férias relaxantes.
Anastacia, 40 anos, atingiu pela primeira vez o topo das tabelas com o seu bem-sucedido single
I'm Outta Love, extraído do seu multi-platinado álbum
Not That Kind, em 2000, seguindo-se de
Freak of Nature e
Anastacia. Ela agora está de volta com um novo álbum,
Heavy Rotation.
Que significam para ti as férias?Penso que é uma altura para aproveitar com quem estiveres, e onde estiveres, e tirar um bom partido de tudo isso. Capri é um sítio que gostaria de visitar, porque o meu marido refere a ilha entusiasticamente; também adoro Paris. Aprendi a falar francês na escola e ainda lido bem com a língua.
Qual é o teu lugar favorito?Tenho uma relação de amor/ódio com Londres. É excelente, mas tão cara – é como pagar o dobro aos americanos. Claro que já não é o caso – o dólar está muito melhor agora. A nossa taxa de câmbio costumava ser horrível. Eu ficava tipo «Ouch!» sempre que entrava numa loja, mas agora está a voltar ao normal.
Ski ou praia nas férias?Adoro férias calorosas, por isso talvez a praia.
Acho que nunca irei dizer «Oh meu Deus, vamos fazer ski.». Não sou uma maluca por adrenalina, e não estou dentro dos desportos de inverno. Para mim, férias são para passar com amigos e família, num clima quente de preferência.
Que tipo de bagagem usas?Oh Deus gracioso – o que estiver por aí. Eu costumava ser muito particular e amava aquelas malas pesadas de metal, mas já não sou tão selectiva. Apesar de tudo, gostaria de obter um conjunto de malas Louis Vuitton, poder viajar e parecer fabulosa.
Em que local do mundo te tens inspirado mais?Eu inspiro-me em tudo da vida. A arquitectura em Roma é soberba, por isso, talvez, inspiro-me em coisas como essas, mas nunca tive férias cristãs. Neste momento, vivo 24 horas por dia, por isso estou constantemente inspirada.
Hotel íntimo ou grandioso?Posso juntar os dois, porque eles podem ser muito íntimos mesmo em grandes espaços. Tenho tido muita sorte em viajar e ficar nos melhores hotéis do mundo – Nunca poderia estar em alguns destes sítios se não fosse cantora!
Texto: Sian Thatcher

O tablóide britânico
The Sun publicou, hoje, um artigo engraçado sobre o
backstage dos concertos da Anastacia no Reino Unido:
O novo cantor britânico,
Steve Appleton, impressionou Anastacia depois de apoiar a artista norte-americana na sua digressão britânica.
O rapaz de 20 anos surpreendeu a cantora quando esta, inesperadamente, entrou no seu camarim antes de um concerto em Birmingham. Steve diz que a Anastacia não estava disposta a deixá-lo esquecer que o tinha visto semi-nu.
Ele disse: «A Anastacia não bateu à porta e veio na minha direcção quando eu estava a vestir os boxers. Ela tinha um grande sorriso no rosto e desmanchou-se a rir. Eu não tinha a certeza de como reagir mas depois começámos a rir. Ela também não me deixou esquecer isso.»
Mas Steve, de Surrey, admite que ficou desapontado por ela não o ter visto completamente nu.
Continuou: «Eu fiquei mesmo desapontado por ela não ter entrado segundos antes. Eu estava nu e ela é uma mulher mais velha bastante atraente. E também uma pessoa muito amorosa.»
Apesar do incidente, Steve classifica o encontro "nu" como um destaque na sua carreira, até agora.
Ele disse: «Aquilo foi, certamente, algo que nunca irei esquecer. Encontrei-me com as Pussycat Dolls no mês passado mas não falei com elas. Claro, elas são bastante bonitas mas não sou fã das suas músicas. Anastacia tem uma voz incrível.»
«Muito atraente»... O veredicto de Steve sobre Anastacia.

A Notícias Sábado, revista do Diário de Notícias e do Jornal de Notícias, veio com uma entrevista realizada no dia do concerto em Lisboa:
Em exclusivo à NS', Anastacia aproveitou a passagem por Lisboa para rever uma biografia acidentada que tem na aclamação popular o reverso da medalha.
À porta da maior sala lisboeta de espectáculos passa-se alguma coisa. É sábado, está sol e o centro comercial mais próximo não regista a maior enchente da época. Há quem prefira o jogging vespertino no passeio junto ao rio mas passa-se alguma coisa. Junto às entradas exteriores do Pavilhão Atlântico começam a concentrar-se grupos de raparigas (e mulheres) que denunciam uma movimentação estranha. Algumas sabem que aquela figura pela qual omitiram o jantar está por perto e tentam convencer os seguranças a deixá-las entrar na sala. Sem maldade. O som que já ecoa das colunas do Pavilhão Atlântico não oferece margem para dúvidas. O espectáculo ainda não começou oficialmente mas os protagonistas já aquecem no palco. E a figura maior da noite também já deixou o hotel para se deslocar até ao local de trabalho desta noite. Se não é o melhor emprego do mundo, anda lá perto.
À entrada do corredor que dá acesso aos camarins, a poderosíssima voz de Anastacia já se ouve. Não, não vem do palco, apesar do ruído que os músicos vão produzindo. «Está com um grupo de amigos americanos que veio a Lisboa. Eles aproveitaram para vir visitá-la», dizem-nos. Tudo bem. Há boa disposição, risos, soltura, ou seja, ingredientes que pressupõem um concerto, no mínimo, animado. O Pavilhão Atlântico pode comportar 18 mil pessoas mas está difícil encontrar uma sala onde a entrevista e a respectiva sessão de fotografias se possa realizar sem grandes interferências externas. Finalmente, é resolvido o problema e a conversa é marcada para um camarim recheado de espelhos mas vazio de adereços. Chega Anastacia com a tranquilidade de quem acabou de praticar meditação. Não consta que fosse o caso. Simpática e afável, olha para o camarim e torce o nariz. «Vamos antes para o meu.» Siga. E mal se conhece a sala onde a cantora descansa antes de subir ao palco percebe-se a opção. Pelo chão, há tapetes orientais. Em cima da mesa, chás de todos os sabores. Ou seja, não necessariamente luxo mas certamente muito conforto. E que mais se pede para quem viaja constantemente em classe executiva ou em jactos particulares e se instala nos melhores hotéis das cidades por onde passa?
Começamos exactamente por aí, pelo tema da geografia e pela relação de Anastacia com Lisboa, cidade que «não conhecia», antes do primeiro concerto em 2004. Isto descontando uma visita promocional dois anos antes. «Eu não conhecia Lisboa, embora soubesse que é uma capital com história. Muitas vezes, não temos noção de como somos recebidos porque andamos de um lado para o outro sem tempo para pensar. Deparei-me com uma sala cheia [Pavilhão Atlântico]. Depois voltei para o Rock in Rio Lisboa (2006) e, de repente, estava em frente a cem mil pessoas. Foi incrível. É um dos grandes privilégios de ser artista.» Quase dez anos depois de se ter dado a conhecer ao grande público, será que Anastacia ainda sente calores frios antes de enfrentar a multidão? «Não, podia acontecer mas agora reajo de forma muito tranquila. O nervosismo pior. Prefiro olhar as pessoas e concentrar-me naquilo que tenho para lhes dar. É muito mais eficaz. Quero oferecer o melhor espectáculo que for capaz para poder ter a consciência tranquila.» Assim seja.
Falemos de coisas (mais) sérias. Anastacia sabe que a sua estrela já não cintila como há anos. Não está preocupada mas tem consciência e recorre a exemplos exteriores para explicar aquilo que pretende. «Quando comecei tinha de estar sempre lá em cima. Os singles tinham de tocar na rádio, os discos tinham de vender e as salas tinham de estar cheias. Agora, estou mais tranquila. Já não sinto a mesma pressão.» A polémica sobre a sua verdadeira idade entronca nesta linha de pensamento. Durante anos (aqueles em que Anastacia esteve ligada à Sony), mentiu-nos sobre a data de nascimento – «por pressão da editora, embora pudesse ter evitado», confessa –, mas agora é chegado o momento de assumir aquilo que realmente é. Sem medos, assim como fez quando soube que sofria de cancro da mama. «É óbvio que mantenho uma distância e não revelo tudo porque me parece importante estabelecer fronteiras, mas isto é o que eu sou! As pessoas nem sempre conhecem a origem das canções mas há muitas que revelam bastante sobre a minha vida.»
São as Lições de vida de Anastacia, uma mulher que desde cedo soube que era portadora da doença de Crohn mas que nem por isso desistiu. «A minha vida não foi propriamente fácil mas posso dizer que me sinto uma privilegiada com tudo o que tenho. Sei que passei por muitos problemas mas tenho esta voz que é uma dádiva e todas as oportunidades que surgiram dão-me mais força e a possibilidade de dar a cara por uma série de causas em que acredito.» Daí a aposta no Anastacia Fund [ver caixa] para consciencialização do problema entre as mulheres mais jovens. Mas foi a própria Anastacia a afastar-se da ribalta durante um ano para se dedicar mais a uma vida pessoal que «é difícil de esconder do olhar do grande público». Às vezes, tudo podia ser tão simples quanto «um passeio pela cidade», longe do olhar dos paparazzi.
Sinal de algum divórcio do grande público, Anastacia não levou nem meia casa ao Pavilhão Atlântico nessa mesma noite, o que, para já, não a preocupa muito. «Há pessoas que têm de andar sempre em cima. Eu também já pensei assim, mas se me lembrar de alguns dos artistas que mais admiro, como a Tina Turner, eles também passaram por fases semelhantes. Não há ninguém que consiga manter uma carreira no topo eternamente. Nem o Michael Jackson», defende. Definitivamente, Anastacia é hoje uma mulher diferente. Mais vivida, menos pressionada. Será uma nova etapa? «Definitivamente sim. Cheguei aos 40 e os últimos anos foram muito intensos. Passei muito tempo em digressão, gravei e cheguei a um ponto em que foi necessário parar. Também mudei de editora, o que levou o seu tempo», responde sem necessidade de se defender. Sinais de crise de meia-idade? Nem na pele. O camarim de Anastacia mais parece um salão de chá à média luz em que apetece prolongar o fim de tarde apesar do pôr do Sol belo e tranquilo que vai iluminando a zona oriental de Lisboa, mas o tempo galopa à medida que esta descendente das grandes vozes negras da soul e do R&B vai respondendo.
Um outro sinal de desgaste na relação entre a própria artista e as «entidades» que a rodeiam está numa entrevista concedida ao jornal inglês Daily Mail em que alegadamente disse isto: «Gosto de compor e actuar, mas prefiro o silêncio a um CD. Ouvir música não me descontrai, acho difícil concentrar-me quando está alguma coisa a tocar.» E ainda acrescentou isto: «Tenho um iPod mas não me lembro da última vez que o usei. Uma vez comprei uma cassete da Janet Jackson mas nunca comprei um disco na vida.» Veio então a conclusão: «A música nunca mexeu muito comigo, não significa nada. Para ser honesta, às vezes até acho irritante.» Ora, à NS' nenhuma destas declarações foi desmentida, mas Anastacia alegou que as mesmas foram «totalmente descontextualizadas» por alguém que nunca gostou da música da cantora. «Alguém que escreveu as piores críticas possíveis», acrescenta. Sem demonstrações de rancor na expressão facial, apesar de tudo.
A conversa aproxima-se vertiginosamente do fim e ainda há uma sessão fotográfica pela frente. Ouvem-se passos em fundo mas Anastacia continua a falar impávida e serena como se nada de especial se estivesse a passar. E enquanto a entrevista não é interrompida, sempre vai dizendo que não está «preocupada» com o que possam dizer dela, a partir do momento em que «os fãs são o mais importante». É esse «carinho» que Anastacia procura e defende. «É possível que num ou noutro momento da minha carreira me tenha esquecido da importância que eles têm para mim mas, nesta altura, é o mais importante. Viajam sempre junto ao peito. Estão no meu coração.».
Perfil
Não se pergunta a idade a uma senhora mas, neste caso, foi a própria Anastacia a revelar a idade verdadeira: 40 anos que passam a ser 41 a partir de 17 de Setembro. Baixa na estatura mas poderosa na voz, Anastacia Lyn Newkirk Newton já injectou botox mas tem orgulho naquilo que é. Em 2005, fez uma cirurgia para corrigir a visão, operação que a levou a abandonar os óculos de lentes escuras que habitualmente a protegiam. Nada de particularmente especial para quem teve um pai maníaco-depressivo que abandonou a família quando a filha era adolescente, período em que Anastacia soube que era portadora da doença de Crohn (problema crónico inflamatório-intestinal, que atinge geralmente o íleo e o cólon). Já depois de ter figurado no programa Club MTV e em alguns vídeos das Salt-N-Pepa, participou no programa de caça-talentos The Cut, também da MTV. A Daylight Records (subsidiária da Sony) ousou contratá-la e não se arrependeu. Anastacia não venceu o concurso mas garantiu o contrato desejado e uma amizade com a mais tarde falecida Lisa "Left Eye" Lopes, então nas TLC. O resto da história é conhecida. Até 2005 já tinha vendido à volta de vinte milhões de álbuns em todo o mundo. E nem um cancro da mama, em 2003, a fez desistir. Anastacia tem ainda um perfume e uma linha de roupa.
Estrela pop com espírito altruísta
A vida de Anastacia não foi um mar de rosas mas o cancro da mama, diagnosticado em 2003, marcou-a especialmente. Tudo começou em Janeiro desse ano quando a cantora decidiu reduzir o peito, por sentir problemas na coluna. Numa mamografia de rotina, necessária no processo anterior à cirurgia, o problema foi detectado. Tanto a cirurgia como a radioterapia correram às mil maravilhas mas, consciente da sua visibilidade enquanto artista, Anastacia criou o Anastacia Fund para consciencialização do problema entre as mulheres mais jovens. «Apesar de ser um problema bastante falado, poucas pessoas sabem que cinquenta por cento das mulheres correm o risco de ter cancro da mama. É muita gente», começa por explicar. «Depois de ter conhecimento do problema, senti-me tranquila, mas a insegurança veio mais tarde. Lembro-me de chegar a 2006 e de me sentir completamente esgotada», recorda uma mulher que se sente «forte» mas que, por vezes, «esconde os problemas». Honra lhe seja feita, nunca escondeu esta questão tão delicada que serviu de inspiração ao terceiro álbum, justamente intitulado com o seu nome. A partir daí, Anastacia apoiou muitos eventos de caridade, como o Life Ball 2006 – Make a Difference and Challenge for the Children, o maior evento anual europeu de alerta para a questão da sida. A artista passou também a vender sua linha de roupas no eBay, doando parte dos lucros à Breast Cancer Research Foundation.
Texto: Davide Pinheiro
Foto: Paulo Alexandrino
